O Domínio Próprio – Fruto do Espírito
Leitura: Gl 5.22,23
Leitura: Gl 5.22,23
Também chamado de temperança, autodomínio, autocontrole, moderação, esta virtude cristã implica na vitória dos desejos ou prazeres. A essência do domínio próprio ou moderação, ou ainda temperança, está nas palavras do sábio Salomão: “Como a cidade derribada, que não tem muros, assim é o homem que não pode conter o seu espírito” (Pv 25.28). Ele afirma que é melhor o homem que tem domínio próprio do que o que conquista uma cidade (Pv 16.32).
O conceito bíblico difere do conceito filosófico, estóico, que significa apenas “suportar a vida” ou “agüentar firme”. O domínio próprio do cristão significa que todo o seu ser (espírito, alma e corpo) encontra-se sob o controle de Cristo, entregue a seu senhorio. Todos os aspectos de sua vida, seja o moral, físico ou espiritual estão debaixo da autoridade do Senhor Jesus, abrindo mão de exercer este direito e concedendo esta autoridade ao espírito Santo. O apóstolo Paulo faz um contraste entre o fruto do Espírito e as obras da carne. As obras são produzidas pelo esforço, mas o fruto pela árvore, da qual devemos cuidar.
Temos prazeres que foram dados por Deus, para deles gozarmos: o alimento (Ec 2.24; 3.12,13; 5.18; 8.15), o relacionamento conjugal (Ec 9.7-9). A liberdade de experimentá-los pode tornar-se licenciosidade e somente pelo espírito Santo podemos ter o controle.
A palavra traduzida por domínio próprio no grego é egkrateia (lê-se encratéia), que tem a raiz no verbo kratein, que significa “pegar em”, “agarrar”. Portanto, apresenta a idéia de agarrar-se firmemente a um propósito.
Cristo quer e pode controlar não somente nosso espírito, mas toda a nossa alma (mente, vontade e emoções) e nosso corpo (apetites, desejos, impulsos, instintos).
Este domínio próprio faz parte do fruto do Espírito, não nasce no solo da carne humana. Não é apenas o resultado do esforço e da abnegação, da ação do Espírito Santo em cooperação com o crente. Para isto, é necessário abrirmos mão de governarmos a nós mesmos e entregarmos este controle ao Espírito Santo (Gl 5.16).
Isto não ocorre automaticamente, mas o Espírito nos ajuda a disciplinarmos a nós mesmos. Na verdade, há uma guerra pelo domínio do nosso ser (Gl 5.17). A nossa natureza não quer fazer o que é certo, mas o errado (Rm 7.18,19).
Quando o Espírito Santo estiver no controle de tudo, este fruto será revelado em nossa vida e as pessoas verão a sua evidência (Mt 7.20; 12.33). Paulo apresenta o domínio próprio como um atleta que se abstém de tudo para ganhar o prêmio (1 Co 9.25-27).
Mesmo as coisas que são lícitas não devem nos dominar (1 Co 6.12), mas devem ser usadas de forma a contribuir para nossa edificação e também dos outros (1 Co 10.23; Rm 14.19-21).
As obras da carne são demonstradas atuando em quatro áreas: sexo, espiritualidade, relacionamentos e alimentação, situações que envolvem o corpo e a alma do homem. Assim, o controle do Espírito Santo também deve ser completo.
Domínio da alma:
Domínio da mente – Há pessoas que acreditam que não são responsáveis por seus pensamentos. Mas isto é um engano fatal. O que somos é o resultado de nossos pensamentos. Se não os dominarmos eles nos causarão muitos problemas, já que os pensamentos e os desejos estão intimamente unidos (Ef 2.3). Os pensamentos produzem palavras, as palavras ações, e as ações hábitos. (Rm 12.1-3; Fp 4). O Senhor guarda nossa mente (Fp 4.6,7).
Vontade – aquele que quer fazer sua própria vontade não pode servir a Deus. Cristo nos deu o exemplo (Mt 26.39,42).
Emoções: Domínio da ira – Podemos ser levados a ter raiva, mas não podemos deixar que este sentimento nos leve a pecar (Ef 4.26).
Ambição – Não devemos ter ambições além do que podemos (Rm 12.16; Fp 4.11-13; 1 Tm 6.8-10).
Inveja – este sentimento negativo causa divisões e contendas (Tt 3.3; 1 Tm 6.4; Tg 3.16)
Vaidade – o verdadeiro adorno, enfeite, deve ser o interior e não o exterior (1 Pe 3.3,4; 1 Tm 2.9,10).
Refrear a língua – Tiago nos assevere que devemos fazê-lo (Tg 1.26; 3.7-10).
Domínio dos apetites:
Apetite alimentar – Há pessoas que são dominadas pelo corpo, estão dispostas a atenderem todos os seus caprichos. Seu deus é o ventre (Fp 3.19). Mas devemos conter o apetite (Pv 23.1,2,20; Mt 6.25,26). Paulo afirma que não convém fazer algumas coisas, mesmo que sejam lícitas. Entre estas coisas está a comida (1 Co 6.12-14). A Bíblia recomenda moderação na bebida (Pv 20.1; 23.29-35; Is 5.2; 28.7; Ef 5.18).
Desejo sexual - Paulo afirma que se não há domínio na área sexual, é melhor que se casem (1 Co 7.9). Exige-se dos bispos que tenham este domínio (Tt 1.8).
Que fazer para ter o domínio próprio:
• Conheça-se e use o conhecimento a seu respeito a seu próprio favor. Pedro afirma que devemos acrescentar o domínio próprio ao conhecimento (2 Pe 1.6) e que devemos empregar toda a diligência nisto. Tendemos a não perceber como somos, mas devemos nos esforçar para tal. Se você corre no trânsito, vigie seu comportamento, para não sair em disparada. Se você se ira com facilidade, evite as situações que a provocam a sua raiva. Mude suas atitudes para mudar suas reações.
• Valorize a disciplina. Quando Jesus disse que, se o nosso olho nos levar ao escândalo, devemos arrancá-lo (Mt 18.8,9), ele estava lembrando que precisamos subjugar o nosso corpo, quando este nos subjuga. Ponha objetivos na vida e se empenhe para alcançá-los. O autocontrole é o resultado da disciplina e do esforço próprio.
• Deixe-se conduzir pelo Espírito de Deus. O domínio próprio só é possível por meio de Sua ação em nós. Ele nos conduz através de: a) leitura da Palavra (Jo 14.26; 15.7,26; 16.13; 2 Tm 3.16,17); b) oração (Fp 4.6,7; Rm 8.26; At 13.2,3); c) ouvir o ensino da Palavra (2Tm 4.1,2; Hb 13.7,17); os dons espirituais (1 Co 12.7-10; 14.6); d) acatar os conselhos de cristãos sábios (Ef 6.1; Cl 3.20).

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